Em Marília, não há um levantamento que mostre exatamente o número de voluntários que atuam nas entidades
Eles doam seu tempo para atender as necessidades dos outros sem receber nenhum tipo de remuneração. Fazem porque são solidários e buscam, de alguma forma, alterar as realidades tristes que conhecem. O número de voluntários que atuam na cidade não é conhecido, porém o trabalho que eles desempenham é de extrema importância para suprir o fraco investimento em alguns setores públicos, como a saúde.
Um exemplo de quem sabe compartilhar tempo, amor, felicidade e conhecimento é a aposentada e voluntária do Gacch (Grupo de Apoio à Criança com Câncer e Hemopatias) Maria Angélica Bonilha Viana, 64 anos.
“Vim de São Paulo em 2005 porque a família de meu marido é daqui. Cheguei em fevereiro e em agosto conheci o Gacch e me apaixonei pela causa. Além disso, sou voluntária no Hemocentro como contadora de histórias para as crianças e já trabalhei no Poupatempo escrevendo cartas e em um programa que busca a inserção de ex-detentos no mercado. O que me move é a energia que eu recebo das crianças. Mesmo passando por momentos tão difíceis, elas que me dão força.”
Ela comenta que o grupo conta com 43 voluntárias, que dedicam parte de suas horas diárias para cuidar e garantir atendimento digno às crianças que vêm à cidade para tratar diferentes tipos de câncer.
“Muitas mães não têm onde ficar, vêm de outras cidades. As ambulâncias trazem aos hospitais, mas só retornam às cidades de origem à noite. Aqui elas têm pouso, comida e podem descansar. É uma forma de tornar essa fase de suas vidas com seus filhos menos traumática.”
Vera Lúcia da Silva Guerra também é voluntária do Gaach há nove anos e ressalta que, assim como as crianças, os pais precisam de apoio. “Eles ficam fragilizados e aqui recebem carinho e atenção. É uma forma de ajudarmos quem tanto precisa.”
O Gacch é mantido com doações e com o dinheiro arrecadado em bazares e pela venda de pães. Além disso, a entidade distribui 29 cestas às famílias cadastradas no grupo. Os interessados em ajudar podem ligar para o telefone 3422-4111.
Secretaria fará levantamento do voluntariado
A Secretaria da Assistência Social pretende neste ano fazer um levantamento junto às entidades para conhecer o trabalho do terceiro setor em Marília. “Vamos mapear isso dentro das entidades. Há algum tempo tentamos fazer isso, mas não deu certo. Agora vamos, junto com o conselho municipal, colher essas informações, organizar esses dados e direcionar melhor essas ações voluntárias”, comenta a assistente social da pasta, Neide Brito de Moura Leatti.
Hoje a cidade conta com 46 entidades assistenciais que recebem subvenções municipais, tanto em recursos, como suporte em alimentação e no quadro de funcionários. “No caso da educação, aquelas entidades que trabalham com crianças, a prefeitura cede um professor para trabalhar no reforço escolar. As áreas vulneráveis que mais precisam da atuação social, tanto da secretaria como de voluntários, estão localizadas nas regiões norte, sul e oeste”, comenta a assistente social.
Fonte: diariosp.com.br