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A igreja x estratégias de marketing

Nos últimos meses tenho visto algumas manifestações e até mesmo literaturas sendo lançadas, com críticas a igrejas evangélicas, porque tais usariam técnicas de marketing para atrair seu público.
Estudantes ou profissionais na área de marketing, historiadores, ou simplesmente meros questionadores, tentando identificar e relacionar práticas de algumas igrejas a estratégias pré-determinadas, com intuito de atrair e manter fiéis.
As críticas são negativas. Parece até que se trata de algo proibido. E eu pergunto: e qual seria o problema se as igrejas utilizassem estratégias de marketing? Ora, a verdade é que críticas dessa ordem refletem nada mais que um contraponto à liberdade religiosa que impera (ou deveria imperar) em nosso país.

Sim, porque nos termos de nossa lei pátria, por primeiro, cada indivíduo tem liberdade de crença e de culto (artigo 5, VI, da nossa Constituição Federal). E, na mesma esfera, as entidades religiosas tem liberdade de se constituírem e de se organizarem de forma livre (artigo 44, IV, § 1º do Código Civil).
Essa liberdade diz respeito não só à organização administrativa, como também à organização eclesiástica. Ou seja, a igreja é livre para estabelecer sua doutrina, sua liturgia e sim, pode usar estratégias de marketing, de administração, e qualquer outro mecanismo que não seja contrário a lei, que possa fazê-la cumprir seu objetivo: propagar o evangelho, ganhar vidas para Cristo!

A igreja da qual faço parte – Igreja Bola de Neve, onde sou pastora, tem um perfil específico (sim, porque a multiforme graça de Deus permite que cada igreja se reúna e tenha uma doutrina, uma identidade própria e, como já dito, nossa lei nos ampara para tal). A linguagem é jovem, as musicas são atraentes, o ambiente é descontraído e com isso, boa parte do público é jovem (inclusive os jovens de espírito). Em 10 anos de existência, saímos de 01 para mais de 200 igrejas no Brasil. E eu posso te garantir que não houve e não há nenhuma estratégia de marketing e posso dizer também quem nem mesmo há estratégias de crescimento.

Questionado por um desses historiadores sobre a aplicação do seu conhecimento em marketing na igreja Bola de Neve, o líder, apóstolo Rinaldo Seixas, mais conhecido como apê Rina, que é formado em marketing, foi enfático em dizer: “quando eu entreguei minha vida a Jesus, joguei fora meus livros de marketing; na nossa igreja, quem dá o crescimento é Deus”.

O fato é que para aqueles que não vivem o poder de Deus, para aqueles que não professam essa fé, é difícil conceber a ideia de que Deus age de forma sobrenatural, de que o Espírito Santo é quem convence, toca e transforma vidas.
Uma prancha de surf no púlpito? Um som bacana? Uma luz baixa durante o louvor? Campanhas de libertação, de prosperidade? Mesmo que tudo isso fosse estratégia de marketing, nada disso seria suficiente para gerar paixão por Jesus. Nenhuma estratégia de marketing te leva a viver uma experiência com Deus se você não estiver disposto a isso.

Veja, até Jesus usou estratégias para reunir o povo, para fazer milagres, para exercer seu ministério. Mas, os questionadores são racionais e incrédulos. Por isso não discernem o agir de Deus e criticam as igrejas que fogem do padrão que eles, no auge de tanta racionalidade, julgam ser o devido. Ora, como dito, a igreja tem liberdade e proteção legal na prática de seus cultos e de sua liturgia. Como especialista em direito eclesiástico tenho apresentado e defendido o limiar dessa liberdade. Em nome dessa liberdade, não pode a igreja ou seus lideres, agirem com despautério.

Há que se observarem princípios basilares do direito e eu costumo destacar alguns, com ênfase para o princípio da moralidade:

– princípio da igualdade ou isonomia das partes (tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades); – princípio da legalidade (a lei como base primária para imputação de penalidades) ; –princípio da moralidade (o aspecto moral sendo permeado nas decisões); – princípio da impessoalidade (todos são iguais perante a lei, sem qualquer distinção de qualquer natureza).

No âmbito da observância destes princípios, só posso concluir que não age irregularmente, nem com excesso, uma igreja que usa estratégias de marketing, desde que a finalidade seja tão somente alcançar seu objetivo social, que é professar a fé e propagar o Evangelho.

E eu sou a primeira a defender que uma igreja que não cumpre seu objetivo social de forma reta, ou seja, aqueles que deturpam sua finalidade, devem ser sim, penalizados – tanto a igreja (pessoa jurídica), como seus responáveis.

E não posso, portanto, deixar de concluir que essas recentes manifestações contrárias à igreja, nada mais são do que reações religiosas e desarranjadas daqueles que não tiverem o privilegio e a alegria de conhecer o verdadeiro poder de Deus.

E que Deus tenha misericórdia de cada um deles (e de todo aquele que deturpa o que é sagrado), e que estes possam ser agraciados com o inigualável poder de Deus, que não precisa de nenhuma estratégia de marketing para se manifestar!

 

 

 

 

Por: Taís Amorim de Andrade